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07/03/2021
07/03/2021

ENTENDA a queda de cabelos (E-book)

Alopecia androgenética e alopecia areata: entenda suas diferenças 

ENTENDA sua queda de cabelos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

O cabelo atua de forma importante como uma característica que exerce grande influência na aparência física e autoestima de homens e mulheres. Atualmente estabelece uma estreita relação com a percepção de saúde e autoconfiança. Constitui, na verdade a moldura ou contorno da face, estabelecendo uma imagem que reflete um pouco da personalidade e identidade da pessoa.

            A queda de cabelos também pode significar graus variáveis de preocupação. Por outro lado, para mais da metade das pessoas, isto pode representar um tormento na maior parte do tempo. A percepção de uma possível doença psíquica ou física e o seu impacto emocional, levam a necessidade de um tratamento imediato, para a reversão do problema. Na grande maioria das vezes, há a procura por tratamentos não médicos que geralmente, levam muitas pessoas a frustração. Comumente chegam para a consulta, após já terem realizado vários tratamentos empíricos. Mesmo com a orientação médica, muitos tratamentos são interrompidos precocemente por falta de paciência com os resultados e disciplina na rotina de tratamentos. A percepção errada que os tratamentos serão rápidos e definitivos pode levar a uma frustração ainda maior.

            A queda de cabelos representa sem dúvida um motivo comum de procura no consultório médico dermatológico. A percepção da queda capilar, muito mais que a perda do controle, pode representar ficar menos atraente, ficar mais velha, menos fértil, mais frágil e até com menos saúde infeliz com sua imagem e autoestima.

            O conhecimento de exames, novas abordagens médicas com tratamentos e procedimentos mais eficazes pode representar o primeiro passo para o indivíduo recuperar a autoconfiança.

            Os cabelos, além de suas funções primordiais como isolamento térmico e proteção, com o tempo passou a ter efeito psicossocial e estético. As estruturas anatômicas básicas do cabelo são constituídas pela cutícula, medula e córtex conferem resistência e elasticidade aos fios. A compreensão correta do metabolismo destas estruturas, corrigindo suas falhas de cor, maciez, brilho e controle dos fios e que se refletem diretamente na correção da autoestima dos indivíduos.

            Desde os primórdios da civilização se buscam soluções para esses problemas. Na atualidade a indústria descobriu este filão na tentativa de buscar soluções para a maioria dos problemas capilares. Shampoo, soluções, loções, técnicas de corte e penteado, aplicações, perfurações, etc. movimentam este a indústria de tratamentos capilares.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CALVÍCIE

            Também conhecida como alopecia androgenética, atinge 55% da população masculina e 50% da população feminina especialmente até os 50 anos. Além da perda capilar, um dos primeiros sintomas á a visualização da pele do couro cabeludo, sensibilidade desta região à exposição solar, diminuição do volume e espessura dos fios. A consequência disto é variável podendo levar à ansiedade, diminuição da autoestima, do amor próprio, depreciação da imagem corporal e da confiança, além de angustia, estresse emocional e depressão nos mais diferentes níveis.

            A principal causa envolvida é a genética de expressividade variável. É comum a ocorrência de pessoas calvas e não calvas na mesma família, ou seja, tendo pessoas que só carregam o gene sem nunca manifestá-los. É bem mais comum a ocorrência de homens calvos tendo história familiar em mais de 70% dos casos. Outras causas associadas são o tabagismo, alcoolismo, oleosidade excessiva, deficiência de vitaminas e proteínas, tração capilar aumentada e alterações clínicas (doenças da tireoide).   

   

            A teoria mais aceita é a geneticamente determinada em que ocorre um aumento da expressão de receptores de hormônios andrógenos nas células do folículo piloso. Nestes casos os andrógenos são representados pela presença de dihidrotestosterona, um hormônio masculino que provém da testosterona. Este induz uma diminuição progressiva da fase de crescimento do cabelo e uma miniaturização folicular.

            A prevenção e o diagnóstico precoce são importantes especialmente na suspeita ou se a família já apresentar casos e deverá ser feita pelo médico dermatologista. Com a anamnese e o exame físico e dos fios se estabelece a gravidade do caso. Desta forma se estabelece uma linha de tratamento a médio e longo prazo, visando à prevenção e a diminuição do ritmo de queda, preservando mais fios de cabelo para o futuro.

             O escasso e limitado espectro terapêutico relacionado fez, desde os primórdios da humanidade, surgimento de tratamentos com resultados limitados, de origem duvidosa, com loções, soluções, shampoos, vitaminas e cosmecêuticos, que na maioria das vezes produziram pequenos e temporários efeitos, com aumento d ansiedade e frustração dos pacientes.

            Os tratamentos clássicos, apesar de suas limitações e efeitos colaterais, são indicados pela maioria dos dermatologistas. Entre eles temos a finasterida que evita o afinamento dos cabelos e, consequentemente sua queda. Outra substância auxiliar para esta função é o minoxidil usado há mais tempo, também auxiliando no crescimento dos fios mais fracos e aumento do ciclo de crescimento dos fios, fazendo com que demorem mais para cair. O controle da oleosidade e da seborreia com shampoos, sabonetes ou loções é bem vinda. Nos caos mais avançados, o tratamento mais indicado é o transplante capilar.

Paralelamente o controle de outros processos patogênicos e o controle psicológico individual deve ser considerado e manejado.

 

 

 

 

 

EFLÚVIO

Situação que traz o paciente ao consultório dizendo que a queda de cabelos que aumentou muito nos últimos dias ou semanas, ou que no se seu caso é a pior que já teve, ou que os amigos ou cônjuge ou o cabeleireiro notaram aumento da queda ou áreas de falha ou acúmulo de fios no travesseiro, na pia ou no chuveiro, ou que trás a quantidade de fios que está perdendo em algum saquinho ou envelope,ou que chegou a contar mais fios do que o normal que estaria perdendo.

O eflúvio representa uma perda generalizada dos cabelos na ausência de rarefação capilar que pode se manifestar de forma autolimitada ou ser recidivante. (é possível ter mais de uma vez por ano)

 

A maioria dos fios (mais de 80%) se encontra na fase de crescimento, conhecido como fase anágena que dura em média de 3 a 5 anos. Praticamente o restante dos fios está na fase de queda conhecida como fase telógena, com duração média de 3 meses. Entre estas duas fases, em 1% dos fios, ocorre a interrupção do crescimento dos fios e a transição para a fase de queda (se chama fase catágena). O eflúvio telógeno representa um aumento do número de fios que evoluíram para a fase de queda. Este é considerado o principal fator relacionado a perda capilar. Entre os principais ”gatilhos” para sua ocorrência podemos enumerar anemias, doenças da tireoide, deficiências nutricionais e dietas radicais com perda acentuada de peso, pós-parto, cirurgias, estresse, interrupção ou troca de anticoncepcionais, doenças infecciosas, trauma físico e emocional, vários medicamentos e causas locais como dermatite seborreica, dermatite de contato ou psoríase. Os medicamentos mais envolvidos são anticoagulantes, antidepressivos, tratamentos hormonais, retinóides, antifúngicos, alopurinol, anticonvulsivantes, dopaminas, inibidores dos canais de cálcio.

O eflúvio é agudo quando tem duração menor que 6 meses ou crônico se tiver duração maior. É primário se não tiver causa conhecida ou secundário, se tiver “gatilhos” conhecidos.

Ao se manejar o quadro, o diagnóstico da causa vem em primeiro lugar, até para definir o tratamento mais adequado dependendo da causa. Em muitos casos é necessário a anamnese minuciosa, o exame clínico direcionado, dermatoscopia e avaliação laboratorial com exames complementares, caso as causas não sejam tão evidentes. A melhor terapêutica deverá ser indicada pelo médico dermatologista.

A prevenção com cuidados adequados é possível frente a previsível exposição a causas como um estresse muito forte ou procedimentos cirúrgicos.

EFLÚVIO PÓS-PARTO

Estima-se um risco de 85% de eflúvio após o parto. Durante a gestação, ocorrem alterações fisiológicas normais para mantê-la até o final que acabam determinando um efeito protetor contra a queda de cabelo, efeito este notado com a impressão de que os cabelos estão mais volumosos e fortes neste período. Nos fios de cabelo ocorre uma preservação da fase de crescimento e um atraso na fase de queda. Na gestação, os níveis de vários hormônios como progesterona, estradiol, estriol e da tireóide costumam aumentar e influenciam de forma direta o ciclo de crescimento do cabelo. Após o parto, estes hormônios voltam ao normal em 2 a 4 dias.

Após o parto com a perda desta “proteção”, ocorre uma queda de cabelos difusa e volumosa com os níveis hormonais voltando ao normal e ocorrendo um reequilíbrio na transição ente a fase de crescimento e queda. Por esta razão, ocorre um aumento dos fios na fase de queda, com seu auge em 4 a 6 meses, podendo chegar até 15 meses.

Geralmente o quadro é autolimitado, voltando a ter o mesmo número de fios de antes do parto. Se a paciente não tiver histórico de calvície, avaliar possíveis deficiências de proteínas, ferro, vitaminas. Os casos com tendência à alopecia feminina, clinicamente vão ter diminuição do volume e espessura capilar. Ao se apresentar alguma deficiência, esta deve ser corrigida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESTRESSE

 

Demonstrou-se uma relação direta da produção de cortisol em situações de estresse. Este por sua vez é conhecido por efetuara função de regulação cíclicado folículo capilar, levando à interrupção do ciclo normal de crescimento capilar que entra prematuramente na fase de queda.

 

 

 

 

 

 

 

 

ALOPECIA AREATA

Doença sem causa conhecida, onde os cabelos começam a cair, formando pequenas ou grandes áreas sem cabelo. Existem casos em que se perdem todos os cabelos da cabeça, chamado alopecia areata total ou todos os pelos do corpo, chamado alopecia areata universal. Acredita-se em predisposição genética que desencadeia uma reação autoimune. Fatores emocionais, traumas físicos e quadros infecciosos podem desencadear ou agravar um quadro de alopecia areata.

Clinicamente ocorrem regiões com falhas nos cabelos, também chamadas de “peladas”, em que o couro cabeludo apresenta o aspecto normal. Essas regiões são em número e tamanho variado e geralmente sem sintomas. Pequenas perfurações podem ocorrer nas unhas.

Mais de 80% dos pacientes melhoram espontaneamente em até 6 meses. O tratamento deve ser precoce e vai depender da sua gravidade. Podem ser usadas medicações como corticosteroides tópicos ou sistêmicos, minoxidil, biológicos ou substâncias sensibilizadoras locais como a difenciprona. O suporte psicológico é muito importante em todos os casos. A escolha do melhor tratamento deverá ser definida pelo dermatologista.

 

 

 

ALOPECIAS CICATRICIAIS

            As alopecias cicatriciais são doenças do couro cabeludo que levam a perda capilar de forma definitiva pela destruição dos folículos pilosos. São classificadas em primárias, nas quais a agressão se dá especificamente no folículo piloso, e as secundárias, em que o cabelo é destruído por resultado de uma infecção, tumor queimadura ou outras doenças de pele.

Clinicamente, há sinais inflamatórios no couro cabeludo, como vermelhidão, pus, descamação, crostas, cicatrizes, embora em algumas doenças, a evolução possa ser mais lenta e sem inflamação visível.

Para o diagnóstico correto, a biópsia é fundamental para poder classifica-la e orientar o melhor tratamento. Em geral com o exame anatomopatológico se classifica o tipo dependendo da célula predominante que ataca o folículo: linfocítica ou neutrofílica. Eventualmente são necessárias culturas para descartar presença de fungos ou bactérias.

Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor é o resultado do tratamento. As alopecias cicatriciais são difíceis de tratar, pela destruição que ocorre dos folículos. Não é possível recuperar as áreas que já tem cicatrizes, portanto, o objetivo mais importante do tratamento é evitar a progressão da doença e a perda de mais folículos. Com a interrupção do tratamento, podem acontecer recaídas. A definição da melhor opção de conduta deverá ser realizada pelo dermatologista.

 

 

ALOPECIA FIBROSANTE FRONTAL

Representa um tipo de alopecia cicatricial, que tem apresentado um aumento considerável de casos. Predomina entre 40 e 70 anos, sendo pouco comum em pacientes mais jovens. É mais comum em mulheres, especialmente na fase pós-menopáusica. Muitas pacientes tem perda de pelos em outras partes do corpo, especialmente nos braços e pernas. Há perda ou falha nas sobrancelhas em 92% dos pacientes com alopecia fibrosante frontal. Pode star acompanhada de pápulas na face ou a presença de líquen plano. Há a suspeita de que substâncias cosméticas podem estar envolvidas na etiopatogenia da doença.

O tratamento deve ser precoce e deve ser feita com medicações sistêmicas como antimaláricos ou antibióticos específicos e topicamente com loções e cremes anti-inflamatórios. A melhor conduta deverá ser orientada pelo médico dermatologista.

 

Autor: Dr. Jose Mariante

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